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Em 2005, o Corinthians foi campeão brasileiro diante de muita desconfiança. Naquele ano, o então árbitro Edílson Pereira de Carvalho foi pego participando de um esquema de manipulação de resultados. Junto dele, havia um grupo de apostadores que se beneficiavam com os resultados dos jogos apitados por Edílson. Com a comprovação do esquema, 11 jogos do campeonato tiveram de ser remarcados e seus placares, anulados.
Três anos depois e um novo caso envolvendo árbitros ameaça o Brasileirão. Menos de 24 horas antes da última e decisiva rodada, a CBF decidiu vetar o árbitro Wagner Tardelli para a partida entre São Paulo e Goiás. A decisão veio acompanhada de diversas especulações a respeito do motivo, porém Ricardo Teixeira, presidente da CBF, afirmou saber o autor da confusão, porém só divulgará amanhã, segunda-feira.
O São Paulo foi o primeiro a se julgar vítima. Em nota oficial, o clube se colocou como o principal prejudicado por toda a confusão e exige uma explicação urgente dos fatos, além de uma devida punição dos eventuais responsáveis. Na mesma nota, há um trecho que diz “É lamentável que uma competição deste porte e importância chegue à sua rodada final sob suspeita de prática ilícitas e vícios que acreditávamos superados”.
Assim sendo, surgiram duas versões. A primeira delas, envolveria o envio de ingressos do show da cantora Madonna para o vice-presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos. O show será realizado no Morumbi, portanto os ingressos seriam cortesia da diretoria do São Paulo Futebol Clube. Com isso, Marco Polo del Nero, presidente da FPF, teria avisado a CBF, que resolveu suspender o árbitro, a fim de evitar problemas. Seria totalmente plausível, já que presidente e vice da Federação Paulista não de dão bem, apenas se aturam.
Uma outra versão apontaria que um suposto envelope contendo dinheiro fora interceptado pela CBF. Tal envelope teria como destinatário o juiz suspenso da partida. Versão um tanto quanto inexplicada, já que não há explicação de como o envelope foi interceptado.
Bastos possui, assumidamente, relações bastante próximas a Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo. O mesmo Bastos, acusado de ter pressionado Edílson Pereira de Carvalho para manipular resultados do campeonato de 2005. Logo após, o vice-presidente disse que processaria o ex-árbitro. Então, pergunto: processou? Eu espero… Nada?
As secretárias de Bastos e Juvêncio, segundo o comentarista futebolístico Juca Kfouri, também são bastante próximas. Assim, era algo bastante comum cortesias entre o clube paulistano e a Federação Paulista, apesar da má relação do clube com Marco Polo del Nero e, conseqüentemente, com a Federação Paulista. Isso porque o clube afirma em nota oficial que acreditava no fim dessas “práticas ilícitas”.
Para completar o clima circense, o São Paulo Futebol Clube rompeu as relações com a Federação Paulista e seu presidente, del Nero. O motivo seria a ligação realizada pelo presidente para Ricardo Teixeira, informando das cortesias são paulinas, que resultou na suspensão do árbitro. Segundo Nero, Wagner Tardelli seria um dos destinatários dos convites. Estariam os convites no envelope interceptado? Infelizmente, ainda não há resposta.
Incrivelmente, na partida contra o Goiás, o time de Juvenal Juvêncio venceu com um gol claramente impedido. Quanta coincidência para dois dias. Ao meu ver, o Campeonato Brasileiro de 2008 está melado. Muita coisa ainda deve ser explicada. São Paulo campeão; parabéns a eles. Merecido? Ainda não.
Ray Charles – Georgia on my Mind