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Está Declarada Guerra: O mundo contra os Piratas Somalis

Posted by Murilo Romulo em dezembro 22, 2008

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Desde o início de 2008, a costa africana tem sido alvo de diversos ataques de piratas somalis. Mais especificamente o Golfo de Áden, na região da Somália,tem sido evitado pelas embarcações que carregam os mais diversos tipos de cargas. Entretanto, o posicionamento geográfico da região afetada é de extrema importância para o comércio marítimo. O Golfo liga o Oceano Índico ao Mar Vermelho, que passa pela Península Árabica, desembocando no Mar Mediterrâneo através do Canal de Suez, uma das mais importantes rotas do mundo. É o único acesso via mar entre o Oriente e a Europa.

O Mar Mediterrâneo tem uma grande importância histórica para o comércio marítimo. Durante a Idade Antiga e a Idade Média, suas águas eram muito disputadas pelos comerciantes, devido sua facilidade para o comércio com diversas regiões. Atualmente, é a única rota para evitar o contorno de todo o continente africano, quando o destino final é a Europa. O fato de ligar a Península Árabe, bastante rica em petróleo, a diversas regiões fez com que a rota ganhasse muita importância com a exploração do petróleo. Além disso, o Golfo de Áden, especificamente, tem uma grande importância ambiental, com uma grande variedade de espécies marinhas.

A situação na costa africana passou a ficar cada dia mais instável, com o número de ataques e sequestros a navios estrangeiros aumentando gradativamente. Pode-se dizer que o ápice dos ataques se deu com o sequestro do navio ucraniano MV Faina (reportado em um outro post), que continha vários tanques e equipamentos bélicos. Até então, os piratas nunca conseguiram estar na posse de uma carga tão valiosa e perigosa. O sequestro resultou em uma perseguição por parte de norte-americanos e russos, que mobilizaram navios para conter os piratas. A operação foi estopim para os países com maior relevância na política internacional (conseqüentemente, aqueles que tem navios transitando pelo Golfo de Áden com freqüência) se preocuparem com a segurança dos tripulantes e, obviamente, dos navios. No ano, mais de 100 navios já foram atacados.

Os somalis fazem dos sequestros e assaltos um meio de arrecadar grandes quantias de capital. Os tripulantes são feitos reféns e os piratas exigem grandes montantes de dinheiro para liberarem os marinheiros e navios. A situação chegou ao ponto em que uma “vila de piratas” foi criada próxima ao principal porto somali. Uma vila extremamente luxuosa, por sinal, contrastando com a realidade do país, que está entre os 8 mais pobres do mundo. Além disso, estimativas apontam que 75% de sua população vive em estado de subnutrição. A causa de tamanha ação pirata se baseia na falta de um governo forte e centralizado. Há bastante tempo, o país não tem um governo estável, por isso sofre com ação armada de rebeldes, como os piratas.

Algumas embarcações enviadas por outros países para proteger a costa somali chegaram a interceptar barcos piratas que se preparavam para agir. Em alguns casos, os piratas chegaram a ser presos. A situação na costa do Chifre Africano foi se agravando aos poucos, com sequestros mais freqüentes contra cargueiros e petroleiros cada vez maiores. Um exemplo da ousadia dos piratas foi o sequestro do petroleiro saudita Sirius Star, que carrega 2 milhões de barris de petróleo, a 1700km da região de moradia dos piratas. O resgate pedido pela embarcação é de US$15 milhões.

Recentemente China e Irã enviaram navios de guerra para patrulharem o Golfo de Áden, o que causou um certo temor, principalmente pela já existente presença norte-americana na região. Ambos países asiáticos tem grande quantidade de navios passando pela região, explicando a decisão.

A falta de organização, todavia, impedia uma ação eficiente contra os piratas. Diante disso, a ONU, por meio do Conselho de Segurança, aprovou por unanimidade, no último dia 16, a Resolução 1851. Segundo a resolução, todo e qualquer país, desde que autorizado pelo governo somali, pode realizar ações terrestres e aéreas no território do país africano, em prol do combate os piratas. Isso causou uma certa confusão, já que, de certo modo, não é totalmente correta a ação militar dentro de um outro país.

Está declarada guerra. São os piratas contra o mundo. A união será a forma de combater a pirataria, ou questão políticas predominarão?

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