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Lamentáveis mudanças, senhor Haddad e dona Fuvest

Posted by Murilo Romulo em maio 22, 2009

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O ano de 2009 será lembrado pelos vestibulandos como o ano das maiores incertezas. Há muito tempo fala-se em mudanças nos exames de ingresso nas universidades, mas até então nenhuma atitude muito radical havia sido tomada em massa. Infelizmente (pelo menos em meu ponto de vista, no 3º ano do Ensino Médio), esse ano todas as mudanças foram colocadas em prática.

Primeiramente especulava-se sobre um novo ENEM, com declarações do Ministro da Educação Fernando Haddad. Logo depois das especulações, a Unesp, assim como outras universidades públicas, anunciaram mudanças em seus vestibulares. De modo geral, o argumento de todas era a aplicação de uma prova mais “democrática”, com questões mais interdisciplinares, contextualizadas, menos fórmulas e decoreba e a inclusão de Filosofia e Sociologia nas provas. Não demorou muito para o novo ENEM ser aprovado, com a intenção de servir de vestibular único para as universidades federais. A ideia foi muito criticada, já que alguns vestibulares já estavam programados e com edital feito, assim tiveram que mudar. Para o Ministro, a adesão à prova foi acima do esperado. Entretanto, devemos considerar que a maioria das instituições já utilizava o Exame como bônus na nota geral, com algumas outras raras o utilizando como forma de ingresso direto.

A principal crítica em torno de tais mudanças esteve sempre relacionado ao momento em que foram efetuadas as mudanças. Críticas totalmente plausíveis, por sinal; uma mudança tão radical no Ensino nacional (como no ENEM) deve ser prevista com antecedência, pelo menos um ano antes dela entrar em vigor, de fato. As escolas de ensino médio estariam melhor preparadas para tais alterações e poderiam preparar melhor os alunos para determinadas provas. Agora, temos uma verdadeira incógnita sobre como será o novo ENEM. Pode ser que cobrem X, Y ou Z., não se sabe como os assuntos serão verdadeiramente abordados. Assim, quem tentará o ingresso em uma universidade este ano fica totalmente perdido. Coloco-me entre esses alunos, já que a Universidade que desejo cursar aderiu o novo ENEM como forma única de ingresso.

Agora, imaginemos que o Exame é o vestibular único para todas as Universidades Públicas. Chega no dia da prova, estou passando mal, debilitado e acabo com um desempenho inferior ao que poderia alcançar. Ou seja, perdi o ano de estudos. Toda a dedicação foi água abaixo por estar doente no dia da prova. A inspiração de fazer um sistema de ingresso como nos Estados Unidos (que utiliza o SAT) acaba sendo falho, já que lá o exame é aplicado várias vezes ao ano, então o aluno pode realmente ser bem avaliado.

Além do ENEM, a Fuvest, maior e mais tradicional vestibular de nosso país (já que permite ingresso na USP), também anunciou mudanças. A princípio a mudança básica seria a inclusão de provas de todas as disciplinas para todos os concorrentes na segunda fase. Até aí, nenhuma mudança tão drástica, já que temos universidades como a Unicamp que aplicam provas de todas as disciplinas para todos os concorrentes na segunda fase.

Não satisfeita com as mudanças, hoje, o Conselho de Graduação da USP aprovou mais mudanças no vestibular. As mudanças são no que tange as matérias específicas cobradas na segunda fase. O primeiro dia continua igual, com prova de português e redação para todos. O segundo dia também passa a ser universal, com provas de todas as outras disciplinas. Já no terceiro dia, cobra-se apenas as disciplinas específicas – no máximo três. Agora, português não é mais “peso 2” para carreira alguma.

A piada, entretanto, está em relação às novas disciplinas específicas de cada curso. Medicina trocou Física por… Geografia!!! Exatamente, agora os aspirantes a Medicina deverão saber Geografia física, rochas, relevo da Europa e Geopolítica para entrarem na mais desejada faculdade de medicina do Brasil – a Pinheiros. Assustador, eu diria. Acreditando que não teria mais surpresas, fiquei mais revoltado ainda quando vi as disciplinas para Odontologia. O curso é ministrado em três campi: Bauru, São Paulo e Ribeirão Preto. E cada uma das opções terá uma específica diferente. Para Bauru, Química, Física e Biologia; para São Paulo, Geografia no lugar de Física; já para Ribeirão, apenas Biologia e Química.

Esse é nosso maior e mais importante vestibular. Mais um ano que se passa e a Fuvest dá passos para trás, não contente com seu sistema de inscrição milenar – o único no qual precisa preencher ficha com foto datada.

Isso é Brasil.

Ira! – Núcleo Base

4 Respostas to “Lamentáveis mudanças, senhor Haddad e dona Fuvest”

  1. Otacilio said

    Olá,
    Enfim, os organizadores deste curso perceberam que é importante considerarmos as características físicas e humanas presentes, principalmente em áreas urbanas, como a alta densidade demográfica, áreas sem saneamento básico, poluição atmosférica, acidentes de trânsitos, doenças, etc. Tais aspectos típicos do estudos de geografia tornam-se essenciais para cosiderando os custos estatais ao combate deste e muitos outros problemas urbanos…
    Parabéns…

  2. Otacilio said

    Olá,
    Enfim os organizadores deste curso perceberam que é importante considerarmos as características físicas e humanas presentes, principalmente, em áreas urbanas, como a alta densidade demográfica, áreas sem saneamento básico e infra-estrutura, poluição atmosférica, acidentes de trânsitos, diversos tipos de doenças, etc. Cabe ressaltar que, tais aspectos típicos dos estudos da interdisciplinar Geografia tornam-se essenciais quando consideramos os altos custos financeiros estatais destinados ao combate destes e muitos outros problemas urbanos…
    Caberia´, já na formação do profissional, conhecimentos específicas sobre estes assuntos (Geografia física e humana). Quantos dos pacientes que visitam os diversos consultórios
    não estariam com um diagnóstico contraído por viverem em áreas urbanas?
    E têm pessoas por aí, dizendo que foi bobagem, coisas de Brasil. É brincadeira! O Brasil começou bem, tais mudanças não vão revolucionar a educação deste país mas já servem como um micro progresso positivo sim… Escolas boas, se adaptam rápidamente…
    Parabéns…

  3. Sinceramente, a inclusão de geografia na matéria cobrada na segunda fase do curso de Medicina é um passo atrás. Geografia não está envolvida com poluição ambiental, doenças e acidentes de trânsito. Há outras disciplinas que estudam bem mais a fundo. Geografia vai estudar o aspecto humano e físico. Agora, se acha que é necessário um médico sabe quais os climas predominantes na Austrália e qual a vegetação na Ásia, talvez concorde com a mudança.

  4. Renan said

    “áreas urbanas, como a alta densidade demográfica, áreas sem saneamento básico, poluição atmosférica, acidentes de trânsitos, doenças, etc.”

    esse tipo de conteúdo é normalmente cobrado em uma ou duas questões no máximo, não ajuda a saber se o kra será um bom médico. Trocar física por geografica é andar para trás mesmo, afinal, física é a matéria mais difícil, e geografia é a mais fácil. A troca vai diminuir o “filtro” de pessoas capacitadas, pois se o kra era bom em física é porque o kra tinha uma boa capacidade. Agora, geografia… pelo amor de deus, menos médicos e mais açogueiros!!!!

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