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E a Coreia do Norte quer mais que o mundo faça testes nucleares

Posted by Murilo Romulo em maio 25, 2009

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Chegou, enfim, o dia que a República Democrática Popular da Coreia realizou seu segundo teste nuclear de grande proporção. Pode-se dizer que esse teste era mais do que esperado por todo o mundo, principalmente após os norte-coreanos expulsarem membros da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) no mês passado. Ainda assim, o anúncio do teste foi recebido com grande estardalhaço por parte da imprensa mundial, com anúncios e condenações, inclusive por parte do Brasil e do Conselho de Segurança da ONU.

A história da Coreia do Norte se inicia com o fim da Segunda Guerra Mundial, com soviéticos e norte-americanos expulsando os japoneses da Península Coreana e ocupando a região. Entre 1950 e 1953, a região foi local de batalhas, terminadas com o estabelecimento de uma região desmilitarizada entre as duas Coreias. Nunca um acordo de paz foi assinado, mas apenas um armistício, sendo que hoje a região fronteiriça entre as duas Coreias possui milhares de soldados de ambos países. A RDPC, hoje, é o país com a economia e política mais fechada e isolacionista do mundo, mantendo o regime comunista baseado no modelo stalinista da extinta União Soviética, o que já é um pressuposto para más relações com alguns países do Ocidente.

Quanto ao Programa Nuclear norte-coreano, pode-se dizer que teve início em 1989, quando os Estados Unidos, através de uma foto de satélite, tiveram acesso a informação de que haveria uma central nuclear no país asiático, a central de Yongbyon. O primeiro grande marco ocorreu em 1994, quando os coreanos assinaram, junto aos Estados Unidos da América, um acordo no qual abririam mão do programa nuclear em troca do fornecimento de petróleo e a construção de reatores nucleares para fins pacíficos, no caso, abastecimento energético. A partir de 2000, os dois países iniciaram negociações a fim de restabelecer relações diplomáticas. Entretanto, logo em 2002, o governo de George W. Bush incluiu a Coreia do Norte no “Eixo do Mal”, juntamente de Irã e Iraque. Assim, o acordo entre os dois países foi descumprido.

Com o descumprimento do acordo, os norte-coreanos reiniciaram o programa nuclear com fins bélicos de maneira bastante acelerada. Os norte-americanos acabam sabendo do enriquecimento de urânio e a relação entre os países se torna bastante complicada. Já em 2003, o governo norte-coreano declarou que poderia realizar testes nucleares e que era uma potência atômica, além de que as negociações entre os países eram inúteis. No ano seguinte, as negociações foram suspensas, com queixas de hostilidade por parte dos Estados Unidos.

A partir disso, novas tentativas de negociações foram realizadas mas sem sucesso. Diante da situação, países do Ocidente passaram a temer o poder bélico norte-coreano, o que dificultou bastante as relações. Já os coreanos realizaram testes com mísseis de longo alcance. Após a imposição e retirada de várias sanções econômicas, em 4 de outubro de 2006, a RDPC realizou seu primeiro teste nuclear, sendo que cinco dias depois o Conselho de Segurança da ONU aprovou a famosa Resolução 1718. O documento exigia que Pyongyang interrompesse seu programa nuclear e não realizasse mais teste balísticos e nucleares. Em contrapartida, o governo norte-coreano afirmou que poderia realizar testes como tivesse vontade, já que é um país soberano.

As tentativas de negociação continuaram, com alguns avanços. Ano passado, assim como em 2007, após o teste, os coreanos desativaram a central nuclear de Yongbyon. Da última vez, em troca, o governo Bush prometera retirar o país da lista dos financiadores e apoiadores do terrorismo, o que representaria o restabelecimento das relações diplomáticas e econômicas com o restante do mundo. A promessa norte-americana, entretanto, não foi colocada em prática, para revolta do governo coreano. Assim, a central foi reativada e a diplomacia foi novamente colocada em xeque.

Com a mudança de governo nos Estados Unidos, a Coreia do Norte esperava uma posição mais branda de Obama, propondo negociações da sanções. Todavia, nada foi feito, então a RDPC anunciou o lançamento de um foguete para colocação de um satélite em órbita. Imediatamente Japão, EUA e Coreia do Sul temeram a realização de um teste balístico com míssil de longo alcance. O foguete foi lançado dia 5 de abril último e, segundo sul coreanos e norte-americanos, foi um teste balístico. Imediatamente, o Conselho de Segurança da ONU impôs mais sanções ao governo de Kim Yong-il. Com isso, o país anunciou que realizaria um novo teste nuclear e expulsou agentes da AIEA, em resposta às sanções; dessa vez, uma bomba mais potente. Desse modo, o governo da RDPC anunciou oficialmente a realização de um teste nuclear subterrâneo. A ação foi imediatamente condenada por Estados Unidos, Rússia, China e Brasil, que se pronunciou oficialmente na tarde de hoje condenando o teste. Além disso, o Japão convocou reunião de emergência do Conselho de Segurança, este que já se reuniu na tarde desta segunda-feira para discutir.

Segundo o comunicado, o teste foi realizado com segurança e contribui para defender a soberania do país. O teste causou um tremor de 4,5 graus na Escala Richter, detectado por estações russas e norte-americanas. O último teste havia gerado um sismo de 3,6 graus.

De modo geral, pode-se dizer que as relações do país Oriental com os Estados Unidos nunca foram definitivamente estáveis e a diplomacia nunca prevaleceu. O teste por parte da Coreia não me causa surpresa, já que o país se mostra totalmente isolado do Ocidente e não pretende manter relações estáveis com Estados Unidos e outros países, caso não façam grandes seções. Para os orientais, talvez seja o posicionamento mais adequado, pois praticamente elimina qualquer possibilidade de ataque militar contra o país. O resto do mundo acaba não podendo agir de maneira direta contra os coreanos, apenas por meio de sanções. Além disso, os norte-americanos podem começar a temer um possível ataque direto, principalmente à bases militares no Havaí ou no Alasca. Perigo para a máquina de guerra norte-americana. Um país que não tem medo e tem uma bomba nuclear.

Ramones – Blitzkrieg Bop

3 Respostas to “E a Coreia do Norte quer mais que o mundo faça testes nucleares”

  1. […] This post was Twitted by muriloromulo – Real-url.org […]

  2. Otacilio said

    Oi
    A história da Coreia começou a muitos séculos….

  3. A Independência da Coreia do Norte foi exatamente dia 15 de agosto de 1945, portanto, não data de séculos.

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